Durante muito tempo tentei definir-me neste espaço do perfil, mas hoje-talvez mais madura, eu descobri que é algo impossível...definir-me.
Eu dizia o seguinte:sou uma jovem super feliz...que ama a Deus, que ama a natureza, que ama as pessoas que me cercam...que amo tudo...que sou jovem...e que para ser jovem é preciso ser você mesmo...e questionar incessantemente a sua existência...respeitar tudo e todos...enfim me definia com uma jovem perfeitamente feliz...que ama tudo...acima de qualquer circunstância...
Mas hoje me questionei...
Será que eu amei Deus o tempo todo, ou será que em algum momento eu o desacreditei por acontecer coisas que achei injustas?
Será que amei a todos todo o tempo, ou em algum momento os odiei, por segundos que seja, devido à uma briga?
Será que amei tanto à natureza,ou seria, eu, capaz de negar um carro importado para não emitir mais dióxido de carbono?
Será que em todos os momentos eu fui jovem,ou muitas vezes resmunguei como um velho por ter que fazer algo?
Será que eu sempre fui verdadeira em todos os momentos, ou fingi para agradar alguém ou para escapar de uma punição?
Será que respeitei todos,ou em algum momento fiquei tão chateada com alguém, que disse-lhe poucas e boas?
Será que amei tanto as coisas simples da vida, que nunca sonhei em ser rica e ter uma linda mansão?
Será que sempre fui forte, ou em algum momento fraquejei e pensei em desistir de tudo?
Será em todos os momentos amei tanto minha vida, que nunca tenha feito nada para prejudicá-la, como amaldiçoá-la, dizendo que nunca nada dá certo?
Enfim como pude,tola criança, tentar me definir?...será que todas as pessoas me amam?...será que todos os amigos, realmente são amigos?
Não há como me definir,descobri que o que penso ser, na verdade é o que eu gostaria de ser, e o que sou para os outros é o que eles pensam de mim.
Não estou negando que amo a natureza, que amo admirá-la...que acredito no poder de Deus, que acredito em tudo que há de bom na vida...mas passei a ver tudo isso com outros olhos...hoje descobri que nada é absoluto...que o ser humano está sujeito à mudanças e que é capaz de adaptar-se aos ambientes onde se encontra.
Descobri que tentar definir-me, tornaria-me em algo previsível, insípido...e o fantástico do ser humano é exatamente o oposto:recriar-se e com cada experiência desenhar um novo protótipo de vida; não definir um novo comportamento, mas distribuir novas atitudes, que foram descobertas nessas experiências, e aplicá-las em situações similares...sempre buscando aperfeiçoar-se...sabendo, inconscientemente, que isso é impossível ,pois cada vez que elevamo-nos a um patamar,a noção de perfeição é cada vez mais aprimorada.Não é à toa que o amor é conhecido como o sentimento dos imperfeitos, pois sua função é nos levar à perfeição;por amor fazemos tudo...nos adaptarmos, mudamos, fazemos loucuras, que antes de encontrarmos o objeto do nosso amor, nos parecia impossível e até mesmo ridículo.Talvez essa seja a chave:amar..amar sem preço...sem cor...sem tamanho...sem pudor...amar e amar sem porquês;porque quando se explica o porquê de algo, já não se necessita buscar sua essência, e por instinto buscamos essência em tudo que fazemos e em tudo que "escolhemos" para amar...
Talvez o que me falte seja encontrar o objeto do meu amor, mas meu instinto busca essência, e ainda que demore, prefiro a busca incessante de algo que me faz crescer e renovar-me a cada dia, forçando-me e levando-me à busca da perfeição, do que algo comum e insípido, que com o anoitecer mistura-se às sombras e esfria-se com os ventos; que com o tempo vai fazer com que minha essência se perca e contente-me com o vazio de todas as manhãs.
Por Cinthia Brum-21/12/2008
domingo, 21 de dezembro de 2008
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